Hoje pela manhã, li o jornal da Folha de minha cidade. (Nome de Apóstolo que virou Santo - veja a perturbação).
Na coluna dos homens sábios, que falavam do cotidiano, havia um que dizia sua pendência para a direita política. Lá encontrei tantas certezas que no mesmo instante, roubei:
- O problema do mundo de hoje é que as pessoas inteligentes estão cheias de dúvidas e as pessoas idiotas estão cheias de certezas.
Depois pensei numa mulher que foi um dia criança:
- Eu só comia beterraba porque meu pai dizia que era batom.
Empunhei uma arma e saí pelos livros roubando:
- Não mudaremos a vida, se não mudarmos de vida.
Fechei o jornal e chorei palavras enquanto tomava banho para iniciar mais um dia:
- Ler é escrever no caminhar da escrita.
Depois do banho, a comunidade do guardador de rebanhos, trazia a lista dos roubados:
Henry Charles Bukowski Jr.
José Saramago
Jaime Rocha
eram todos de esquerda.
segunda-feira, 2 de julho de 2012
segunda-feira, 25 de junho de 2012
Os Sete Desaforismos - Nova Temporada
I
O canto do galo é mais forte quanto mais perto estamos de ontem.
II
Os corredores não foram feitos para correr, mas para secular passagem.
III
O cachorro rasgando o saco lembra que sempre resta alguma coisa.
IV
O ralo de vez em quando rompe o cheiro mais humano.
V
O mundo não está nem violento, nem não-violento: nós dizemos e ele é.
VI
A alma cresce com esbarrões: um jovem que caminha apressado e esbarra na lentidão de um velho sentado.
VII
Toda vez que você desconfia de uma crítica há algo lá no fundo que diz que pode ser mesmo.
O canto do galo é mais forte quanto mais perto estamos de ontem.
II
Os corredores não foram feitos para correr, mas para secular passagem.
III
O cachorro rasgando o saco lembra que sempre resta alguma coisa.
IV
O ralo de vez em quando rompe o cheiro mais humano.
V
O mundo não está nem violento, nem não-violento: nós dizemos e ele é.
VI
A alma cresce com esbarrões: um jovem que caminha apressado e esbarra na lentidão de um velho sentado.
VII
Toda vez que você desconfia de uma crítica há algo lá no fundo que diz que pode ser mesmo.
quinta-feira, 21 de junho de 2012
- Certas pessoas, afeitas por números que falam, dizem que o oito nasceu com poder quando deitado com a barriga no chão.
1
Um vulto apareceu atrás do homem escuro.
2
Na manhã de 09 de janeiro Antonio acordou pondo o pé sobre a gaiola.
3
Na sequência daquela rua havia uma pinça rasgando a corrente.
4
Natanael escovava os dentes no sempre da pia.
5
A criança empinava saudade com linha de raciocínio.
6
Nunca mordeu uma banana sem pensar na manhã debaixo da mesa da cozinha.
7
O cano furado espirrava lembrança dos cadernos de memórias.
8
João calçava sandálias até em dia de carregar tijolos na cabeça.
A fome roncava a barriga do Cristo, mesmo tendo comido tortas de maçã.
Ninguém sabia se aquilo cuspiu o vivido ou o sonhado. Os dedos mostravam calo de escrita, agora era certo que o trabalho havia desgastado os ladrilhos da casa térrea.
1
Um vulto apareceu atrás do homem escuro.
2
Na manhã de 09 de janeiro Antonio acordou pondo o pé sobre a gaiola.
3
Na sequência daquela rua havia uma pinça rasgando a corrente.
4
Natanael escovava os dentes no sempre da pia.
5
A criança empinava saudade com linha de raciocínio.
6
Nunca mordeu uma banana sem pensar na manhã debaixo da mesa da cozinha.
7
O cano furado espirrava lembrança dos cadernos de memórias.
8
João calçava sandálias até em dia de carregar tijolos na cabeça.
A fome roncava a barriga do Cristo, mesmo tendo comido tortas de maçã.
Ninguém sabia se aquilo cuspiu o vivido ou o sonhado. Os dedos mostravam calo de escrita, agora era certo que o trabalho havia desgastado os ladrilhos da casa térrea.
terça-feira, 19 de junho de 2012
O artesão e a sua ferramenta
Talvez toda a escuta venha do silêncio.
Para constatar esta intuição é preciso estar à mercê do silêncio.
“Mas como?” pergunta um leitor inquieto.
“Estar à mercê é ter técnica, no sentido de atribuir sentido ao que se faz, concatenando cada parte no grande eixo do chão de cada um” – disse o ator.
Um quesito precípuo: atenção.
Como disse a filósofa Simone Weill:
“a atenção é uma alta forma de generosidade”.
Para constatar esta intuição é preciso estar à mercê do silêncio.
“Mas como?” pergunta um leitor inquieto.
“Estar à mercê é ter técnica, no sentido de atribuir sentido ao que se faz, concatenando cada parte no grande eixo do chão de cada um” – disse o ator.
Um quesito precípuo: atenção.
Como disse a filósofa Simone Weill:
“a atenção é uma alta forma de generosidade”.
quinta-feira, 14 de junho de 2012
Sopro vindo do Oriente
O que é que se espera de um compromisso assumido? Consigo ou com o outro? Tanto faz. O que se espera, o que se tem esperança: missa, missão, prece. Se apressado pressou a escolha de alguma coisa descolada o reverso virá em breve cobrar-lhe que devolva. Agora se em prece comunga comigo ou consigo ou convosco ou conosco aquilo que de fato deve ser feito, agora o que se deve ao ato é cumpri-lo.
Deixa a carne atravessar-se por certo esforço de manter-se atento sem vacilo do primeiro instante até o último. Deixa o prazer em química escorrer sobre o ato de se ser consistente do princípio ao fim naquilo que missou cumprir. Se sabe que em tudo há dor e prazer não precisa ficar o tempo todo acovardando-se a separar gesto de gemido. Tudo é junto quando se está presente em prece na única coisa que se pode fazer: dizer sim ao sim que se jurou ao agora, no tempo em que justo era dizer o não de outrora.
Deixa a carne atravessar-se por certo esforço de manter-se atento sem vacilo do primeiro instante até o último. Deixa o prazer em química escorrer sobre o ato de se ser consistente do princípio ao fim naquilo que missou cumprir. Se sabe que em tudo há dor e prazer não precisa ficar o tempo todo acovardando-se a separar gesto de gemido. Tudo é junto quando se está presente em prece na única coisa que se pode fazer: dizer sim ao sim que se jurou ao agora, no tempo em que justo era dizer o não de outrora.
Uma mulher vestida de camisa branca, calça branca, sapato branco, de idade vivida e com os cabelos presos, dizia na saída da estação:
- Eu disse para o professor que não sabia o conceito, mas que sabia dar um exemplo.
Certa feita ouviu-se de um professor na Universidade:
- Quem fica dando exemplo não pensa com rigor.
Os homens conversavam em volta da fogueira:
- O intervalo entre fazer o pão e ditar a receita.
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